Está no ar o Boletim TAK! nº 46

Nesta edição o TAK! percorre diferentes caminhos entre a Polônia e o Brasil. Alguns são concretos, como os trilhos das ferrovias que ajudaram a aproximar territórios e registraram a participação de engenheiros poloneses na construção da infraestrutura brasileira. Outros atravessam o tempo, a memória e as histórias familiares.
As comemorações dos 200 anos da ferrovia no mundo e do centenário da ferrovia estatal polonesa, realizadas em Curitiba, recuperam parte dessa história e revelam como os deslocamentos também produzem encontros, intercâmbios e novas paisagens.
O turismo é outro caminho desta edição. Em workshop realizado na capital paranaense, representantes do setor polonês apresentaram destinos e possibilidades de roteiros ao mercado brasileiro. Para os descendentes de poloneses, porém, uma viagem à Polônia pode ganhar outro significado: além de
conhecer um país, pode representar um reencontro com a história familiar e com referências que atravessaram gerações.
A transmissão dessas referências aparece também nas artes tradicionais. Em Curitiba, um workshop de bordado polonês reuniu jovens designers, artesãs experientes e descendentes de imigrantes interessados em aprender técnicas de Kaszuby e Kurpie. Entre linhas, cores e pontos, uma tradição deixa de ser apenas memória e volta a ser prática.
Há histórias que exigem uma viagem ainda mais longa: aquela feita em busca de vestígios. É o caso de Piotr Lechowski, que há anos pesquisa a trajetória do artista Bruno Lechowski, nascido na Polônia e radicado no Brasil. Arquivos, catálogos e documentos encontrados nos dois países ajudam a reconstruir
a trajetória de um artista cuja presença acabou se tornando menos conhecida na memória coletiva polonesa.
Também atravessamos a trajetória de Felícia Leirner, nascida em Varsóvia e transformada, no Brasil, em uma das importantes escultoras de sua geração. Sua história reúne migração, reinvenção e criação artística: três movimentos que ajudam a compreender como identidades culturais também se transformam quando atravessam fronteiras.
Nesta edição, portanto, viajar não significa apenas mudar de lugar. Significa revisitar histórias, reencontrar pessoas, recuperar memórias e descobrir como tradições continuam circulando entre gerações. Da ferrovia ao bordado, do turismo à arte, dos arquivos às lembranças familiares, o TAK! acompanha algumas dessas travessias e os vínculos que elas continuam produzindo
entre a Polônia e o Brasil.

Boa leitura e boa viagem!
Miłej lektury i udanej podróży przez strony!

Izabel LIVISKI – Editora

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